O relatório “Microplásticos: um problema complexo e urgente” foi organizado por um grupo de dez especialistas, coordenados pelo vice-presidente da ABC para a região Norte, Adalberto Luis Val, e pelos professores Mário Barletta, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e Maria Inês Bruno Tavares, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O relatório descreve como os plásticos, apesar de úteis e versáteis, geram efeitos ambientais e de saúde negativos quando se degradam em partículas minúsculas — os microplásticos — que se acumulam na água, solos e seres vivos. Estima-se que apenas 10% das 400 milhões de toneladas produzidas todos os anos, apenas 10% seja reciclada.
O documento aponta evidências preocupantes de que microplásticos estão presentes em diversas partes da cadeia alimentar, incluindo peixes, aves, vegetais e até produtos de origem animal, e já foram detectados em órgãos humanos como intestino, pulmões, coração e até no cérebro de fetos. Diante disso, os especialistas destacam lacunas no conhecimento, a necessidade de métodos de análise mais harmonizados e uma infraestrutura de monitoramento mais robusta no Brasil, visando a concessão do Selo de Inspeção Federal para alimentos.
Em linhas gerais, a solução para o problema passa pelo estímulo a uma economia circular, que aumente as taxas de reciclagem e reuso de plástico e seja capaz de prover uma destinação final segura a esses materiais. Outra necessidade é a inovação em polímeros, gerando alternativas sustentáveis aos atuais usos do plástico.
Outro ponto crucial é a educação ambiental, que deve ser promovida desde a educação básica. Além da presença nas escolas, o relatório defende campanhas de conscientização voltadas a diferentes públicos e diferentes meios de comunicação, ensinando sobre a reutilização e o descarte adequado do lixo.
“Imaginar um mundo sem plástico ainda é muito difícil, ele ainda é insubstituível em áreas como a medicina e a aviação, por exemplo. Mas é de fundamental importância pensar na substituição dos produtos de uso único, como as sacolas de mercado. Não há necessidade da quantidade de plásticos que são usados como embalagens. Se conseguirmos diminuir esse uso, já seria de grande ajuda”, refletiu Adalberto Val.
Link para o relatório:
www.abc.org.br/wp-content/uploads/2025/08/microplastico.pdf
Link para a matéria com mais informações: